Jornada

Fui criado simples e ignorante
Na alvorada de minha jornada

Andei sob o sol inclemente das savanas
Comi das raízes da terra
Comi também de todos os animais
Estivessem eles na terra, nos rios, nos céus e nos mares

Experimentei dos doces mais suaves
Das texturas mais distintas
Do grão duro ao mingau
Da carne crua a ela queimada

Senti a sede do deserto
Onde vaguei perdido ou fugindo
Fui surpreendido pelas tempestades
Fiquei sozinho no frio

Da pedra bruta já tirei as riquezas
Fiz pirâmides e templos
Muralhas e castelos
Já me envolvi na luta pela sobrevivência

Feras enfrentei, inimigos eu criei
Meus olhos já viram o carinho mais limpo
o ódio mais sujo
A posse doentia por outra pessoa
A fuga desesperada, o medo da escuridão
O sentir-se só na longa jornada
O estar distante no meio da multidão

Já fui pai, mãe, filho, filha e irmão
Já magoei aqueles que me cercavam
Já sofri por amor

Quantas vezes perguntei de onde vim?
Quem me criou?
Já rezei pela noite, pelo dia, pelo sol e pela lua
Já tive deuses que cuidavam de cada passo meu
E ignorante que era, por Deus criei guerras

Fiz sofrer o meu irmão
Ardi no fogo, rasguei livros e aprendi a ler
Naveguei por mares nunca antes navegados
Já descobri o mundo novo
Me fiz de importante, de dono de tudo
Dos rios, das montanhas, das flores e das árvores
Em meu egoísmo sem fim, do mais fraco me aproveitei

Já me arrastaram das terras dos meus ancestrais
E me lançaram nas correntes
Já conduzi o látego nas costas dos escravos
E aprendi que tudo já tive,
Do vazio da fortuna, a plenitude da pobreza
Mas algumas vezes eu pude me encontrar

Aprendi sobre Jesus
Sobre amar e ser amado
Respeitar e ser respeitado

Iluminado por lampiões, aprendi sobre a ciência do tudo e do nada
Diminui esforços, distâncias, torci o tempo

Lutei por igualdade, liberdade e fraternidade
Já falei com espíritos, e com ele aprendi que o fim não existe
E que o futuro se encontra dentro de mim
Nas estrelas quem sabe
Eu dependo apenas do que eu faço
Porque eu sou imortal
As consequências dos meus atos
Fazem do mim o que eu sou

Caçapava, 2012

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Pequenas notas II

Canção para Ana Amélia :Ah minha criança… quantos sóis e luas ainda para se ver… sorria sempre, porque o tempo pune quem chora demais… e não deixa margens pra boas lembranças se ficarem ocupadas de más… Minha filha… não esqueça que amor é mais do que simples palavra ou arpejo de iluminar… mas é querer mais que a si mesmo e ver a felicidade ao ver seu amor voar… Minha menina… Das alegrias temos todas que nos permitirmos… que os sonhos e venturas venham e venham… e que nunca esqueças que tens em tua casa teu porto seguro e de quem te ama demais… sempre sorria… porque o mundo pune os tristes que pensam demais em dor e sofrimento e esquecem de agradecer pela oportunidade que se tem… Faça do teu agora o momento mais importante pra se lembrar… faça feliz quem está ao teu redor da forma mais plena… sendo você feliz… mas entenda que existem nãos que nos amargam a boca hoje, mas que nos dá consciência de sabor do que se vive pelo mundo… seja a alegria que sempre és… seja sempre o amor que tens… seja sempre feliz… feliz aniversário minha filha.

22/03/2015

Somos sonhos sonhados por alguém que veio antes de nós… somos sonhos de nós mesmos também, que sonhamos em ser alguém que somos o que somos hoje em dia… e com o que sonhamos ser mais adiante? Seremos o que sonhamos? Sonhamos que seremos? Além de sonhos, que somos? E o que fazemos para sermos esses sonhos? Quiça sejamos sonhos… não pesadelos.

22/03/2015

Os olhos brilham vendo os leds piscando pelas janelas do carro… o vento bate forte pelos friso e ouve-se o som alto da música que anima e trás ao corpo lembranças primitivas de rituais … nos templos do comércio se vende de tudo… de comida a sonhos, imagens de perfeição… nas ruas os olhares buscam espelhos para se verem melhor, e esquecem os que se escondem nas marquises durante a noite/madrugada, os que são usados como refúgio de instintos vorazes… de pesadelos próprios e desejos escondidos… nas escolas, jovens-crianças se modelam adultos pelos tons de desprezo a humanidade convivência, onde a aparência só perde para o torpe desatino de corações volúveis e despudorados, ignorados de valor… querem amor… querem amor… mas não amam… fala-se na rua, sobre valores perdidos, na verdade nunca obtidos, nunca almejados, apenas quistos para que assim fossem representados, a mulher de césar basta parecer… como num teatro alegórico, uma bufonaria silenciosa, entrecortada de sorrisos cínicos… sob pretexto de indignação cantam corvos ao sol… lembrando abutres querendo carniças… enquanto pequenas crianças presas nos corações negros dos homens choram e choram, pedindo liberdade e um pedaço de pão… nossas pombas da paz voam perdidas no deserto, sem ter a quem entregar suas mensagens… sem ter onde pousar seus corações cansados… não enquanto as crianças continuarem presas… mas as pessoas na sala de jantar… estão ocupadas… sempre ocupadas… muito ocupadas…

23/03/2015

Pirambeira morro abaixo… caiu e não voltou… só da pé em rio raso… em rio fundo boiou… levanta seu pé dessa lama e vem pra grama correr… pique esconde… bang bang… bola de gude… capotão… foi penalty… não foi não…. essa roupa toda suja, se minha mãe ver… vou morrer… morre nada… só leva umas lambadas… pra quem sabe um dia… aprender.

24/03/2015

O quanto dos seus olhos posso ver? Mergulho todos os dias num mar castanho e torno a me envolver… parece que não… mas minha respiração continua a mudar ao te tocar… Suspiro dobrado… Mesmo a distância de um girar de corpos.

25/03/2015

A flecha disparada… o vento… o alvo… a chegada… penas pra direcionar… pena.

26/03/2015

Pequenas notas I

“Vai voando… tão longe… flanando com asas abertas… usando as correntes de ar pra se libertar… voa… voa… desperta suas asas a sonhar… Torna e entorna… pia e canta… almeja… novos ares… para voar…” (19/03/15)

Sereno luar que ninguém vê… agua que cai dos céus… enfim me cubro. (20/03/15)

Porque aqui eu canto e digo “ais”… Porque insisto em temas ancestrais… Porque do sonos que não vêm, sobra o cansaço que não treme, nem o olhar que não me prende, mas o suspiro que me acalma… Sugiro a mim mesmo dormir… mas já não durmo? Então quando acordarei? Porque bater palmas e bater no peito são dores diferentes… umas eu consinto… outras eu nem sei que existem. (21/03/15)

Trovejando

Das tempestades que sopram pelo meio dos desertos, pradarias e montanhas… dos mares nunca dantes navegados ou navegados ou poluídos ou ressecados… das noites e dos dias… das palavras já ditas, não ditas e malditas… dos olhos que enxergam em terra de cegos e caolhos… ouço o ribombar de canhões e foguetes zuis, amarelos, verdes e vermelhos… vejo a invasão de exércitos de um homem só ou de milhões… todos querendo meu sangue.. e terão o meu sangue, a cada dia de trabalho… a cada hora desperdiçada e a cada palavra mal falada… brilha lá no céu um sol que ilumina a todos, mas nem todos tem protetor solar… nem todos tem um cobertor para esquentar na noite fria… sequer água para beber… ou um abraço amigo para ter… e eu aqui fico chorando cebolas cortadas em prantos mal feitos sobre sonhos não realizados ou desejos imperfeitos… quanta lama… quanta alma… quanta gana… os olhos entristecidos dos velhos desaparecidos… dos amigos sumidos e do amor mal resolvido… todos eles gritam pelos sonho/pesadelos que nunca tivemos e nem teremos… quantas coisas para se falar… quanto carinho para compartilhar… quanto amor para amar… e eu me perco em devaneios vendo tanta mentira que eu digo… que eu escuto… que eu apoio e que eu reprimo… ouço de longe as tempestades… rogo aos céus que venha chuvas torrenciais que lavem minha alma e desmanchem meus castelos empobrecidos de riquezas… que a noite seja clara… que só exista beleza… mas que eu acorde e veja que há lama ao meu redor… há lama em meus pés…. e as vezes sangue em minhas mãos… distorço o tempo… distorço o que eu sinto… eu minto e as vezes eu sonho um vão momento… que eu possa gritar pelos ares… eu sou… eu sou…

Caixa de segredos

Aqui guardarei coisas que escrevi ou publiquei… como um arquivo pessoal do que pensei… e quem sabe algumas poesias e contos… tudo começa em algum momento….

Falando de coisas antigas e/ou diferentes – VIDEO GIRL AI

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“Obrigada por escolher o meu video, Meu nome é Ai Amano e tenho 16 anos”
“E você como se chama?”
“Por que você está tão triste?”
“Entendo… seu amor não é correspondido..”
Com esse dialogo começa o anime Video Girl Ai, baseado no mangá de Masaku Katsura publicado entre 1989 e 1993.
Os OVAS (não houve anime seriado)lançados encerraram antes da finalização do mangá (analisaremos o mangá em outro momento). Muito se fala sobre o purismo do conteúdo do mangá em relação ao que é colocado nos animes, bem… isso é outro papo também. Hoje iremos falar sobre o que VGA (Video Girl Ai) apresenta.
A história é sobre um protagonista – Youta Moteuchi que não tem sorte no amor (novidade), e que por um milagre do destino (novidade) obtém um auxílio para o amor não correspondido. Falar sobre a história é algo que ao meu ver corta o barato de toda a parada. Então podemos ir falando que esse anime possui algumas referências até hoje utilizadas em eroges, como a abertura onde o personagem alvo se apresenta, o interessante é que isso é de bem antes de games modernos e avançados de sei la quantos bits que tem uma possibilidade maior de jogabilidade e tals. Algumas coisas no formato que achei muito bom é que os episódio duram em torno de 22 minutos, com extras muito interessantes e que acho que deveria ter sido mantido o ofrmato, como um em que o autor da uma pequena entrevista, ou uma das cantoras da trilha sonora também se apresenta. Como história a coisa toda é agradável, não chega a causar suores nos olhos, mas não chega a ser insosso. Não há perdasexcessivas, mas algumas perguntas ficam no ar. Talvez o mangá tenha respostas, mas é interessante notar que o formato utilizado é comum aos de hoje em dia, sendo que são poucos os atuais que tenham uma qualidade boa como VGA.
Os japoneses são famosos por melhorarem aquilo que outro faz, porque podemos notar indiretamente a inspiração do filme Mulher nota 1000 (em inglês Weird Cience de 1985), quando uma mulher sai da tela. Mas podemos notar claramente que isso foi mera referência.
Enfim, é um anime que vale a pena assitir pela quantidade de influências que se apresentam. Não apresento como influência original, mas que muita coisa sairam dali… sairam.